Olá, leitores(as) da Newsletter RBC!
Nesta edição, destacamos a jornada de nossa equipe em uma expedição em duas Unidades de Conservação no Mato Grosso. Você vai acompanhar nossos pesquisadores em campo, com detalhes do processo de coleta e análise de espécies da fauna e flora do Cerrado. Confira ainda um novo olhar sobre as mudanças climáticas a partir do comportamento de lagartos. Boa leitura!
O projeto Fogo na Fake participou da 25ª Semana Universitária na Faculdade de
Comunicação da UnB. Em parceria com o Livro Livre UnB, o grupo vinculado à RBC
promoveu uma atividade de educomunicação sobre o Manejo Integrado do Fogo (MIF).
A ação utilizou um jogo educativo para explicar como o uso controlado do fogo contribui
para a conservação do Cerrado. O projeto também ofereceu uma oficina de
marcadores de página produzidos com tinturas de plantas do bioma. Integrante do
Edital DEX/DEG/DPG/DPI nº 01/2025, o projeto atua no combate à desinformação
sobre queimadas e na divulgação científica.
@redebiotacerrado
A Rede Biota Cerrado realizou uma expedição no Mato Grosso durante o mês de novembro. Foram quase 30 dias de
trabalho no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães e na Estação Ecológica da Serra das Araras. A equipe
explorou áreas marcadas por diferentes históricos de incêndios para entender como os regimes de queima
influenciam a dinâmica das espécies, suas interações e a paisagem. Ao analisar esse mosaico de situações,
os pesquisadores buscam revelar como o fogo molda a biodiversidade única do Cerrado.
@redebiotacerrado
A expedição do Projeto Manejo Integrado de Fogo contou com uma equipe
dedicada ao monitoramento de pequenos mamíferos na Estação Ecológica da Serra
das Araras e na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso. Esses pesquisadores
preparam iscas, checam armadilhas e registram cada animal capturado. O trabalho é
importante para compreender a fauna local e orientar ações de conservação. Além
disso, cada nova captura ajuda na obtenção de informações sobre o comportamento, a
distribuição e a saúde dos animais.
@redebiotacerrado
Pesquisadores da Rede Biota Cerrado investigaram como o fogo altera o microclima —
o ambiente próximo ao solo onde vivem lagartos, anfíbios, pequenos mamíferos e
insetos. Para isso, instalaram registradores automáticos em armadilhas de
interceptação e queda posicionados entre 0,5 e 1 metro de altura e protegidos por
PVC. Esses instrumentos são capazes de medir temperatura e umidade. Os dados vão
revelar se diferentes regimes de fogo explicam mudanças na riqueza, composição e
abundância de espécies, mostrando que compreender o microclima é essencial para
entender como a vida responde às transformações do ambiente.
@redebiotacerrado
A Expedição Manejo Integrado do Fogo investigou também répteis e anfíbios no
Parque Nacional da Chapada dos Guimarães e na Estação Ecológica da Serra das
Araras, no Mato Grosso. Armadilhas instaladas em áreas com diferentes regimes de queima permitem
analisar como o fogo afeta a distribuição e a sobrevivência das espécies. Os dados
revelam padrões de sensibilidade e adaptação, orientando estratégias de manejo que
favoreçam a biodiversidade do Cerrado.
@redebiotacerrado
(Foto: David Ayronn / RBC)
No primeiro episódio do Diário de Campo, o coordenador-geral da Rede Biota Cerrado,
Guarino Colli, apresenta a expedição diretamente da Crista do Galo, no Parque
Nacional da Chapada dos Guimarães (MT). A iniciativa investiga como diferentes
regimes de queima influenciam a biodiversidade do Cerrado. O estudo monitora áreas
de savana e campo. Registra mamíferos, répteis, anfíbios, vespas, formigas e plantas.
O objetivo é produzir recomendações práticas de manejo que fortaleçam a proteção
das Unidades de Conservação.
(Foto: Rihel Venuto)
O segundo episódio do quadro Diário de Campo, disponível no canal do YouTube da
Rede Biota Cerrado, apresenta o trabalho de pesquisa com formigas, usando
armadilhas para capturar os insetos. Os cientistas colocam copos com água e um
pouco de detergente enterrados no solo por 48 horas. As formigas apanhadas são
analisadas para monitorar a saúde dos ecossistemas, orientar políticas de conservação
e até melhorar práticas agrícolas sustentáveis.
(Foto: Rihel Venuto)
Você sabia que a interação entre animais e sementes pode determinar o futuro de uma
planta? Neste episódio do Diário de Campo, mostramos o que é granivoria e como os
pesquisadores investigam esse processo no Cerrado. Você vai entender a diferença
entre dispersão, que favorece a planta, e predação, que impede sua germinação.
Também apresentamos os experimentos de exclusão, usados para identificar se os
predadores são vertebrados ou invertebrados, como formigas e besouros. Por fim,
explicamos como o Manejo Integrado do Fogo pode modificar essas interações e afetar
a regeneração da vegetação nativa.
(Foto: Rihel Venuto)
Neste episódio do Diário de Campo, acompanhamos a equipe de flora da Rede Biota
Cerrado na expedição do Projeto Associado 3, investigando como o fogo afeta a
diversidade em ambientes de savana. Os pesquisadores utilizam parcelas de 20x50 m
para medir, identificar e monitorar espécies arbóreas e arbustivas. O trabalho inclui
avaliar crescimento, mortalidade, recrutamento e estimar biomassa e estoque de
carbono. A coleta e análise de solo também contribui para compreender a ação
integrada com o fogo para moldar a vegetação. Esses dados orientam recomendações
de manejo e conservação do Cerrado.
(Foto: David Ayronn / RBC)
O quinto episódio do Diário de Campo investiga como diferentes regimes de fogo
influenciam a abundância e diversidade desses insetos. O estudo foca em
invertebrados, grupo essencial ao ecossistema e ainda pouco explorado em pesquisas
sobre queimadas. Cientistas apresentam as “formigas-feiticeiras” (Mutillidae), vespas
sem asas usadas como bioindicadoras da qualidade ambiental. Este grupo também
registra a diversidade de besouros do solo, incluindo possíveis novas espécies.
(Fonte: Cecília Vieira / RBC)
Um estudo da Rede Biota Cerrado comprova que o Tropidurus torquatus, conhecido como calango,
pode ajudar a prever como o clima afeta a fauna do Cerrado. Pesquisadores
analisaram quanto tempo por dia o lagarto consegue se manter ativo sob diferentes
cenários de aquecimento. Embora a espécie tolere bem o calor e até possa expandir
sua área, esse avanço indica que outras espécies menos resistentes podem perder
espaço. A mudança no ritmo biológico dos lagartos impacta toda a cadeia alimentar. O
alerta é claro: o clima em transformação redefine comportamentos e ameaça o
equilíbrio da biodiversidade
Por Gabriel Henrique de Oliveira Caetano e Ticiane de Lima Costa
Seriema (Cariama cristata) - (Foto: David Ayronn / RBC)
O Cerrado abriga cerca de 320 mil espécies, entre aves, répteis e mamíferos. Dentre
essa abundante diversidade, estão a seriema (Cariama cristata), o carcará (Caracara
plancus) e o macaco-prego (Sapajus libidinosus). As paisagens do bioma reforçam a
importância da preservação ambiental e mostram que proteger a vida da fauna silvestre
é valorizar a beleza e a singularidade do planeta Terra.
@redebiotacerrado