2º Simpósio do Cerrado reúne redes de pesquisa do bioma em Brasília

Isabela Luduvichack (supervisão Lauro Moraes/RBC)


Professor Reuber Brandão no programa CB.Agro.
Crédito: David Ayronn / RBC

Pelo segundo ano consecutivo, redes de pesquisa formadas por cientistas que trabalham pela conservação e restauração do Cerrado se reuniram para articular iniciativas em comum no estudo do bioma. O 2º Simpósio do Cerrado ocorreu entre os dias 20 a 22 de outubro, com a participação do PPBio Araguaia, coordenado por Mariana Telles; da Rede ComCerrado, liderada por Geraldo Wilson Fernandes; e da Rede Biota Cerrado, coordenada por Guarino Colli.

As três redes integram o maior programa brasileiro de pesquisa da biodiversidade, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Os participantes identificaram pontos de convergência e interesses compartilhados para a otimização de recursos e produção de conhecimento integrado sobre a savana mais biodiversa do mundo.

Abertura e encerramento foram transmitidos ao vivo pelo canal da Rede Biota Cerrado no YouTube. A programação também contemplou momentos abertos ao público, como a apresentação de trabalhos de jovens pesquisadores no Centro de Referência em Conservação da Natureza (CRAD - UnB).

Restauração do Cerrado

Professor Reuber Brandão no programa CB.Agro.
Crédito: David Ayronn / RBC

O coordenador da Rede Biota Cerrado, Guarino Colli, ressaltou a urgência da restauração ecológica, apesar da lentidão do processo. Ele destacou a necessidade da mudança de valores e ações: “Se destruirmos rios como o Araguaia e o Formoso, quanto tempo levará para recuperá-los? A transformação depende da sociedade”, alertou. Dados do MapBiomas, que reúne organizações não governamentais, universidades e empresas de tecnologia na análise de dados sobre os biomas brasileiros, comprovam que o Cerrado é o bioma mais degradado do país, superando a Amazônia e a Mata Atlântica.

Reuber Brandão, do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade de Brasília (UnB), ressaltou que, no ritmo atual de degradação e desmatamento, o bioma pode desaparecer em 25 a 50 anos. “O Cerrado é um paciente em estado terminal, que chegou a perder 2% do seu território por ano. Isso significa, em números líquidos, mais ou menos 20.000 hectares por dia. É urgente proteger esse repositório de biodiversidade”, advertiu o pesquisador.

O Cerrado na pauta nacional e internacional

Professor Reuber Brandão no programa CB.Agro.
Crédito: David Ayronn / RBC

O fechamento do simpósio reuniu especialistas e estudantes no Jardim Botânico de Brasília. Em destaque, a relevância de incluir o Cerrado na agenda da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30). Os cientistas ressaltaram o papel do bioma no abastecimento de água, sua notável biodiversidade e a função de “floresta invertida”, capaz de armazenar carbono da atmosfera por meio do seu extenso sistema de raízes.

Entre os encaminhamentos, os cientistas decidiram lançar em breve um manifesto público, que propõe ações para a conservação. A proposta é distribuir o documento em instâncias legislativas, judiciárias, de controle ambiental e Ministério Público.