Com menção honrosa para o projeto "Fogo na Fake", Rede Biota Cerrado destaca a urgência climática no 25º ENEJor

Maior encontro nacional de ensino de jornalismo, o evento reuniu pesquisadores e profissionais de todo o país na UnB, promoveu o protagonismo estudantil e reconheceu trabalho da RBC de mineração de dados sobre queimadas no Cerrado

Por Sara Barreto, Bruno Augusto, Laryssa Mendonça | Supervisão: Lauro Moraes


Dione Moura e Isabel Schmidt na abertura do ENEJor 2026
Dione Moura (coordenadora do PA5 — Engajamento Público com a Ciência) e Isabel Schmidt (coordenadora do PA3 — Manejo Integrado do Fogo da Rede Biota Cerrado) na conferência de abertura do ENEJor 2026.

A Universidade de Brasília (UnB) foi palco de discussões sobre mudanças climáticas no 25° Encontro Nacional de Ensino de Jornalismo (ENEJor). Entre os dias 22 e 24 de abril, a Faculdade de Comunicação da UnB recebeu pesquisadores, profissionais e estudantes, com representação de 43 instituições de todo o país. Com mais de 200 inscritos, a edição deste ano é a maior já realizada pela Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo (Abej).

“Cumprimos a meta de colocar a crise climática na pauta do ensino de jornalismo”, avalia Dione Moura, coordenadora local do evento e do Projeto Associado 5 – Engajamento Público com a Ciência, da Rede Biota Cerrado (RBC). Segundo a professora, o protagonismo estudantil marcou a edição. Alunos participaram ativamente tanto na organização quanto na cobertura do evento, transformando o ENEJor em um laboratório prático de jornalismo. A experiência incluiu a produção de conteúdos em tempo real, aproximando teoria e prática dentro da universidade.

Já a programação do evento incluiu mesas de debates, oficinas, apresentação de pesquisas acadêmicas e lançamentos de livros. Durante os três dias de evento, os participantes discutiram o papel do jornalismo no combate à crise climática.

Bolsistas do Projeto Associado 5 no ENEJor 2026
Apresentação de trabalhos no ENEJor 2026

Bolsistas do Projeto Associado 5 – Engajamento Público com a Ciência apresentaram três trabalhos no evento.

O docente da Universidade Federal de Roraima Felipe Collor salientou que o encontro foi essencial para ampliar e fortalecer o debate acerca do tema. “Enquanto campo do conhecimento, pensamos os desafios que o ensino de jornalismo nos coloca no tempo presente. Em minha região, a gente aborda a crise climática na Amazônia. Aqui, os colegas também têm trabalhado essas relações a partir de outros contextos que exigem medidas urgentes, como o Cerrado”.

Menção honrosa para relato científico da RBC

Abordando sobre a savana brasileira, o trabalho “Mineração e curadoria de dados sobre queimadas no Cerrado: um relato de experiência no projeto Fogo na Fake”, do estudante Arthur Ferreira dos Santos, foi um dos destaques do 21° Ciclo Nacional de Pesquisa em Ensino e Extensão em Jornalismo, que apresentou comunicações científicas sobre ética, inovação, metodologias de ensino e combate à desinformação.

Arthur Santos e Lauro Moraes no projeto Fogo na Fake
Arthur Ferreira dos Santos (à direita) e Lauro Moraes (à esquerda) integraram a equipe interdisciplinar do projeto “Fogo na Fake”.

Na sessão de encerramento do ENEJor, o trabalho, orientado pelos professores Márcio Santos, Lauro Moraes, Dione Moura e Guarino Colli, recebeu menção honrosa com indicação de publicação na Revista Brasileira de Ensino de Jornalismo. O relato científico detalha um experimento inovador da Rede Biota Cerrado, que busca desenvolver um sistema de mineração de dados capaz de separar informação verídica do ruído digital, para combater narrativas falsas sobre as queimadas no Cerrado. A iniciativa foi apoiada pelo Comitê de Combate à Desinformação da UnB por meio do Edital DEX/DEG/DPG/DPI n.º 01/2025.

De acordo com a professora Dione, a parceria do ENEJor com a RBC foi satisfatória em diversos âmbitos: dos bastidores, na organização e divulgação, passando pelas palestras e mesas e chegando aos trabalhos, pesquisas e oficinas. “O trabalho que a gente tem feito na Rede Biota Cerrado é transdisciplinar, com vários profissionais de campos diversos que ajudaram a construir este raciocínio de que a crise climática deveria vir para o centro da pauta. Portanto, a RBC inspirou e somou para o sucesso do evento”, afirma.