Jovens vivenciam pesquisa no Cerrado, na Serra das Araras
RBC e Projeto Lobo-Guará unidos na formação de monitores ambientais
por Tayanne Silva / RBC
A equipe do Projeto do Manejo Integrado do Fogo da RBC acompanhou de perto a imersão dos alunos do Curso FIC Monitor Ambiental – Projeto Lobo-Guará, que levou jovens à Chapada para vivenciarem, em campo, a biodiversidade do Cerrado e o trabalho desenvolvido na Estação Ecológica Serra das Araras (MT). A atividade reforçou o papel da formação na construção de monitores ambientais (Cáceres, MT) mais conscientes e atuantes, capazes de compreender, na prática, a importância socioambiental do bioma e das Unidades de Conservação (UC).
A interação direta com os pesquisadores da Rede trouxe um novo brilho ao encontro, especialmente na conversa conduzida pelo coordenador geral Guarino Colli e por outros cientistas, que guiou os estudantes em uma verdadeira viagem pelo universo da pesquisa científica. Entre curiosidades, risos e descobertas, a turma pôde entender como tudo começa, das perguntas que despertam a investigação ao método que organiza o trabalho, e como cada resposta encontrada contribui para proteger biomas essenciais como o Cerrado e o Pantanal.
O grupo da RBC passou a tarde com os alunos do Projeto Lobo Guará, que foram divididos em quatro times. “Eu faço parte da equipe que estuda a herpetofauna (répteis e anfíbios) e tivemos a oportunidade de explicar aos alunos qual é a relação do estudo na ESEC Serra das Araras com o Manejo Integrado do Fogo (MIF) e discutir como os diferentes tipos de fogo podem afetar a vida dos animais”, conta a pesquisadora da RBC e bióloga Bruna de França Gomes.
A Rede apresentou alguns animais registrados nas armadilhas e exemplares já catalogados, enquanto conversava sobre a relevância das coleções científicas e dos estudos.
A doutora em ecologia pela Universidade de São Paulo gosta muito de espaços não formais de educação e adora participar de ações como estas. “Acredito que o aprendizado se enriquece quando os alunos podem experienciar o tema, como aconteceu nesse dia. Fiquei muito contente por ter participado da atividade e feliz pelo interesse dos grupos com o que tínhamos separado para mostrar”, disse Bruna.
Interação com o Cerrado
A expectativa da era aproximar os adolescentes do bioma, para que conhecessem um pouco da paisagem, dos ambientes que compõem o Cerrado, como os campos e as savanas, e também a fauna que ocorre nesses ambientes. A maioria deles mora em Cáceres, cidade mais próxima da Estação, e nunca tinha estado em uma reserva de Cerrado.
“É muito importante que eles conheçam a fauna e a flora nativas do lugar onde vivem, que neste caso é o Cerrado e como a preservação destes ambientes silvestres interfere na qualidade de suas vidas e de outras pessoas”, explica a pesquisadora da RBC Ana Paula Carmignotto.
A doutora em Ciências Biológicas expõe que, por exemplo, preservar a vegetação do Cerrado implica em proteger os rios e os animais que nele habitam, preservando as fontes de água, que podem ser utilizadas pela população. “À água pode tanto ser consumida quanto representar uma fonte de lazer e de renda através do turismo, como as cachoeiras. Além da própria sensação de bem estar que pode ser percebida durante a caminhada ao longo das trilhas, observando diferentes flores, frutos e animais, e adquirindo a percepção de que nós também fazemos parte deste ambiente”, finaliza Carmignotto.
Na trilha do Cerrado
Durante o percurso, com auxílio de cada membro da RBC, os alunos despertaram os sentidos e puderam observar detalhes da anatomia das espécies, tocar, visualizar características e desmistificar conceitos que tinham visto em filmes ou em desenhos, conhecer os nomes científicos, entender as funções de cada ser vivo e as interações dele com o ambiente.
“A experiência mostrou, de forma prática, a importância de cada elemento da natureza e da nossa responsabilidade em defender este patrimônio para as gerações presentes e para aquelas que virão”, observa Iris Gomes Viana, coordenadora do Curso FIC Monitor Ambiental – Projeto Lobo-Guará e do Instituto Federal de Mato Grosso (Campus Cáceres – Prof. Olegário Baldo).
Esses jovens vivenciaram um pouco do cotidiano de um pesquisador e conheceram a diversidade de estudos desenvolvidos pelo grupo. “Conhecer a Rede Biota Cerrado trouxe conhecimentos e reflexões que serão fundamentais para que eles sejam multiplicadores e atores de mudanças em nossa sociedade. Esse é um dos principais objetivos desta formação, especialmente diante de questões socioambientais que envolvem nosso cotidiano, como os cuidados com o Rio Paraguai, seus afluentes e a vegetação da região, os impactos dos agrotóxicos e a expansão urbana”, disse a professora.
O Curso FIC Monitor Ambiental – Projeto Lobo-Guará de 200 horas de atividades tem como objetivo formar adolescentes como monitores ambientais, com foco em educação ambiental, sustentabilidade e conservação da biodiversidade. A proposta é prepará-los para que contribuam com a sociedade e com a melhoria do local em que vivem. A capacitação é realizada em parceria com o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT Campus Cáceres - Prof. Olegário Baldo), com o Rotary Clube de Cáceres.
Educação e ciência abrem caminhos
Para os alunos, além de ver os animais e ter um momento com a natureza, a capacitação oferece amplo conhecimento.
O veterano do Projeto Lobo-Guará, Gabriel Martins, 16 anos, se interessou pelo curso porque queria aprender mais sobre o meio ambiente e descobrir formas de contribuir para a conservação. “O Cerrado é essencial para mim, porque é um bioma rico em biodiversidade de animais e plantas, e tem uma importância gigante para o equilíbrio ambiental do Brasil. Além disso, é um patrimônio natural que precisa ser preservado”, enfatiza o aluno.
A ideia é registrar a experiência dos estudantes e mostrar como eles têm aprendido e se envolvido com a flora e a fauna. “Com essa experiência, aprendi muito sobre a relevância da pesquisa científica para a conservação dos biomas, como identificar espécies nativas e como ações locais podem fazer uma grande diferença”, disse o estudante.
O professor Antonio Miguel Olivo Neto, do Instituto Federal do Mato Grosso (IFMT), explica que nada substitui estar no Cerrado de verdade, sentindo o ambiente e conversando com quem pesquisa o bioma no dia a dia. “É necessário mostrar ainda mais a importância do Cerrado nas vidas das pessoas, nossa dependência dele, principalmente na região da Serra das Araras, que abriga as nascentes do Pantanal”, lembra ele.
Para ele, levar a turma até a Estação Ecológica é como abrir uma porta para outro mundo. De repente, os estudantes estão diante de um hábitat conservado, ouvindo os sons da natureza, observando espécies de perto e percebendo detalhes que nenhum livro consegue mostrar.
“Os alunos ao terem contato com uma Estação Ecológica podem vivenciar uma experiência única, o contato com os pesquisadores da RBC serve de inspiração para que além de aprender, eles se motivem a entender como funciona uma pesquisa e qual é a sua importância”, conclui o educador.