Pesquisadores brasileiros lideram debate em publicação global sobre ecologia do fogo

Com participação expressiva de cientistas da Rede Biota Cerrado, livro desconstrói a visão do fogo como vilão e aprofunda o conhecimento sobre seu papel ecológico.


Imagem da equipe da ICMBIO

Fotos: David Ayronn/RBC

07/07/2025

Por Lauro Moraes / RBC

Brasília, DF – Uma nova e abrangente obra científica, intitulada Fire in the South American Ecosystems, consolida o conhecimento sobre o papel do fogo nos ecossistemas do continente. O livro recém-lançado evidencia a forte liderança de pesquisadores brasileiros, com destacada participação de cientistas da Rede Biota Cerrado (RBC), que assinam seis dos 14 capítulos da publicação. A obra surge como um marco para a compreensão da ecologia do fogo, fornecendo bases científicas robustas para o manejo e a conservação de biomas como o Cerrado, a Amazônia e o Pantanal.

O livro, publicado pela Springer Nature e editado pelas pesquisadoras brasileiras Alessandra Fidelis (UNESP) e Vânia R. Pivello (USP), reúne a mais recente produção de uma geração de cientistas sul-americanos. A publicação aborda desde o papel evolutivo do fogo na formação das paisagens até os desafios contemporâneos de seu manejo no Antropoceno, período marcado por intensas influências humanas.

O prefácio destaca que, por muito tempo, o conhecimento sobre o tema foi dominado por estudos em outros continentes, e grande parte da pesquisa sul-americana, escrita em português e espanhol, tinha alcance limitado. Esta obra preenche essa lacuna, apresentando ao público internacional a riqueza de dados acumulados na região.

“Diferente de outras regiões do planeta, a ecologia do fogo na América do Sul possui menos destaque globalmente. Este livro dá um passo importante ao fazer uma compilação de estudos de pesquisadores de todo o continente. As visões inter e multidisciplinares trazem à tona tanto a ecologia do fogo quanto a pirogeografia, a meteorologia do fogo e as mudanças climáticas associadas ao fogo. É um avanço da fronteira do conhecimento para uma melhor gestão dos recursos naturais”, destacou Renata Libonati, co-autora do capítulo intitulado “Fire in the Antropocene”.


Imagem da mesa

Fotos: David Ayronn/RBC


Liderança científica do Cerrado

Criada em 2011 e integrada ao Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) em 2012, a Rede Biota Cerrado (RBC) articula 140 pesquisadores e pesquisadoras de 43 instituições nacionais e internacionais, dedicados a ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade do Cerrado. Com sede na Universidade de Brasília (UnB), a rede tem como objetivo central gerar ciência de alta performance para subsidiar políticas públicas de conservação, restauração e manejo sustentável do bioma.

A RBC atua em cinco frentes principais: Inventários Biológicos, Mudanças Climáticas, Manejo Integrado do Fogo, Restauração Ecológica e Engajamento Público com a Ciência. Suas atividades incluem desde expedições científicas para preencher lacunas de amostragem em áreas protegidas até a produção de publicações para o público especializado e a sociedade em geral.

A participação expressiva dos pesquisadores da RBC em quase metade dos capítulos do livro evidencia o protagonismo do Brasil na vanguarda da ecologia do fogo. Além de ampliar o conhecimento sobre o Cerrado, os estudos também são fundamentais para definir estratégias de conservação para esse ecossistema sob constante ameaça da expansão agrícola.


A professora e pesquisadora Elaine Dutra agradece às instituições e à Rede Biota Cerrado pela parceria.

Fotos: David Ayronn/RBC


Capítulos com participação da Rede Biota Cerrado