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NEWSLETTER RBC • EDIÇÃO 22 • JUNHO 2026


Olá, leitores(as) da Newsletter RBC! Nesta edição, que comemorou o Dia Mundial do Meio Ambiente, você vai apreciar registros do fotógrafo David Ayronn, que traduz em imagens o trabalho da RBC, a grandeza e os desafios da paisagem do Cerrado. Além disso, entenda o levantamento sobre os incêndios no bioma produzido com a participação de cientistas da Rede. A pesquisa mostra que quase 90% das queimadas têm origem humana. Ainda nesta edição, você conhece mais duas pessoas que integram a RBC. É gente que faz ciência: Maria Júlia Martins Silva e Lino Abdelnour Zuanon. Confira também as publicações científicas internacionais mais recentes da Rede Biota Cerrado. Boa navegação!


Quase 90% dos incêndios no Cerrado têm origem humana, revela pesquisa

Incêndios no Cerrado

(Foto: David Ayronn/RBC)

O artigo Human ignitions dominate the fire regimes of the Brazilian Cerrado aponta que a ação humana passou a determinar o regime de fogo no Cerrado. A pesquisa mostra que incêndios de origem antrópica não apenas predominam no bioma, mas também ampliam a duração da temporada de queimadas e tornam o fogo mais frequente, intenso e extenso do que os incêndios naturais causados por raios. O levantamento, com participação das pesquisadoras da Rede Biota Cerrado Renata Libonati (UFRJ) e Imma Oliveras Menor (Universidade de Oxford), cruzou dados de cada ocorrência de incêndio registrada com informações sobre descargas elétricas entre 2019 e 2023. A análise comparou incêndios naturais, que são apenas os provocados por raios, com ignições — eventos que dão origem ao incêndio — relacionadas ao uso da terra, como limpeza de pastagens, conversão de vegetação nativa para agricultura e queimadas acidentais ou criminosas. O resultado indicou que 89,1% das ignições no Cerrado tiveram origem antrópica, enquanto apenas 7,5% foram provocadas por raios. Segundo o estudo, as ignições por ação humana predominam em mais de 90% da área do bioma. Em regiões de fronteira agrícola, como a ecorregião de Alto Parnaíba, no Matopiba, essa proporção ultrapassa 90%.


Dia Mundial do Meio Ambiente

Dia Mundial do Meio Ambiente

(Foto: David Ayronn/RBC)

Este ano, em homenagem ao Dia Mundial do Meio Ambiente, a Rede Biota Cerrado preparou um post com diversos registros incríveis feitos pelo fotógrafo David Ayronn, um grande atuante da RBC. Essas imagens lembram a urgência de proteger o meio ambiente. O álbum completo está no Instagram da RBC (@redebiotacerrado).


PERSPECTIVAS CIENTÍFICAS

Não te conhecemos, mas sentimos tua perda

Perspectivas Científicas

(Foto: David Ayronn/RBC)

Estreia no portal da Rede Biota Cerrado! O primeiro texto da seção Perspectivas Científicas aborda sobre o papel essencial desempenhado pelos insetos no equilíbrio dos ecossistemas. Porém, muitas espécies estão desaparecendo antes mesmo de serem conhecidas pela ciência. As pesquisadoras Izabela da Silva Santos e Cecilia Waichert destacam o acelerado declínio desses organismos, impulsionado pelo desmatamento, uso intensivo de agrotóxicos, mudanças climáticas e alterações no uso do solo. Um alerta para a urgência de ampliar o conhecimento científico sobre a biodiversidade do Cerrado, reforçando que conservar espécies ainda desconhecidas é um desafio fundamental para garantir o futuro do bioma e dos serviços ecossistêmicos que sustentam a vida.


QUEM FAZ A CIÊNCIA

Maria Julia Martins Silva

Maria Julia Martins Silva

(Foto: David Ayronn/RBC)

A Dra. Maria Julia Martins Silva é uma das mentes fundamentais por trás dos Inventários Biológicos (PA1) da Rede Biota Cerrado. Ela é professora titular do Departamento de Zoologia da Universidade de Brasília (UnB) e dedica sua trajetória acadêmica à pesquisa e à preservação da biodiversidade. Suas pesquisas desvendam os mistérios de moluscos, organismos bentônicos e ecossistemas aquáticos, conectando a saúde das águas à conservação do Cerrado.


Lino Abdelnour Zuanon

Lino Abdelnour Zuanon

(Foto: David Ayronn/RBC)

O pesquisador Lino Abdelnour Zuanon atua na área ambiental com foco em formigas do Cerrado, investigando como traços fisiológicos e comportamentais interagem para determinar a estrutura das comunidades e a vulnerabilidade de insetos neotropicais às mudanças climáticas. Ele é mestre em Ecologia e Conservação de Recurso Naturais pela Universidade Federal de Uberlândia e doutor em Ecologia, Conservação e Biodiversidade pela Universidade Federal de Uberlândia. Atualmente, faz estágio pós-doutoral no Laboratório de Ecologia de Insetos Sociais (LEIS), da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).


ESPÉCIES DO CERRADO

Lagartixa-doméstica (Hemidactylus mabouia)

Lagartixa-doméstica

(Foto: Guarino Colli/RBC)

A lagartixa-doméstica (Hemidactylus mabouia) é um exemplo de biodiversidade em áreas urbanas. Ela se adapta facilmente aos nossos lares em busca de abrigo e alimento. A espécie desempenha um papel fundamental no controle biológico de insetos, já que sua alimentação é baseada em baratas, grilos, mariposas, gafanhotos e tatuzinhos-de-jardim. A lagartixa-doméstica é originária da África e chegou ao Brasil por navios no período colonial e hoje ocupa todas as regiões do país.


Norops meridionalis

Norops meridionalis

(Foto: David Ayronn/RBC)

O Norops meridionalis é um lagarto pequeno, ágil e com facilidade de se camuflar na paisagem. Semi-arborícola, passa grande parte dos dias entre troncos baixos, arbustos e moitas de capim, tomando sol para aquecer o corpo e seguindo sua rotina diurna. Com seu dorso pardacento e a barbela retrátil usada na comunicação, esse lagarto vive em áreas abertas do Cerrado. Apesar do tamanho, o Norops meridionalis tem um papel essencial no equilíbrio do ecossistema, alimentando-se de formigas, aranhas e outros artrópodes.


Notomabuya frenata

Notomabuya frenata

(Foto:Guarino Colli/RBC)

O Notomabuya frenata é um pequeno lagarto que mede entre 2,5 e 8,5 centímetros. Com o corpo alongado e uma coloração perfeitamente camuflada para a vida no chão, ele vive em áreas do Cerrado. Além de seu visual único, ela também chama atenção por um comportamento reprodutivo fascinante: ao contrário da maioria dos répteis, ela é vivípara, ou seja, os filhotes se desenvolvem no ventre da fêmea e já nascem completamente formados. Esse é um lagarto diurno e ativo, que usa a calda para se defender.


TÁ NA REDE

🌱 Ciência e políticas públicas para monitorar a restauração da vegetação nativa


Publicado na revista Ambio, o artigo apresenta uma iniciativa brasileira que aproximou ciência e políticas públicas para desenvolver indicadores padronizados de monitoramento da restauração da vegetação nativa. A proposta permite avaliar os primeiros sinais de recuperação da vegetação e identificar se as trajetórias de restauração estão avançando ou sob risco de reversão.
🔗 Acesse o artigo: Brazil’s science–policy effort to monitor native vegetation restoration

🦎 História evolutiva dos lagartos da família Leiosauridae


Pesquisa, publicada pela revista Molecular Phylogenetics and Evolution, investiga a história biogeográfica e evolutiva dos lagartos da família Leiosauridae e mostra como transformações ambientais e geológicas ocorridas ao longo do tempo influenciaram a diversificação e a distribuição atual do grupo na América do Sul.
🔗 Acesse o artigo: The biogeographic and evolutionary history of Leiosauridae lizards reveal the influence of complex environmental and geological past dynamics in South America

🌡️🦎 Microclima e estrutura do habitat influenciam comunidades de lagartos


Estudo realizado em uma zona de transição entre o Cerrado e a Caatinga mostra que variações no microclima e na estrutura do habitat são determinantes para a abundância, a riqueza e a substituição de espécies de lagartos ao longo da paisagem. Os resultados reforçam a importância da heterogeneidade ambiental em pequena escala para a conservação da biodiversidade em áreas de transição entre biomas.
🔗 Acesse o artigo: Lizards at the Crossroads: How Microclimate and Habitat Structure Drive Species Turnover in a Neotropical Ecotone


EVENTO

VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica – SOBRE2026

SOBRE2026

(Reprodução/SOBRE2026)

A VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE2026) acontece de 27 a 31 de julho de 2026, na Universidade de Brasília (UnB). O evento é consolidado como o principal evento bienal de abrangência nacional para o intercâmbio de inovações, pesquisas e práticas na área. Organizada pela Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica, esta edição traz o tema “Restauração ecológica: inclusão e justiça climática”, buscando conectar cientistas, gestores, empresas e comunidades tradicionais para fortalecer soluções contra a crise climática e promover a justiça socioambiental. Para isso, a programação contará com uma estrutura dinâmica que inclui plenárias, mesas-redondas, apresentações de trabalhos científicos, atividades de campo e espaços de networking para estimular parcerias estratégicas em todo o país.


EXPEDIENTE • NEWSLETTER RBC

Coordenação-Geral: Guarino Colli • Coordenação PA5: Dione Moura • Edição: Dione Moura e Lauro Moraes • Mídias Sociais: Tayanne Silva • Fotografia: David Ayronn • Programação: Ademir Santos • Planejamento Gráfico: Karen Florêncio • Jornalista responsável: Lauro Moraes (MG 10184 JP)

Contato: comunicacao@biotacerrado.onmicrosoft.com

Sob supervisão da Equipe Editorial da RBC, a redação e edição deste número foram realizadas por estudantes da disciplina de Jornalismo Ambiental, do Departamento de Jornalismo da Faculdade de Comunicação da UnB: Bruno Guimarães Augusto, Gabriela Moura da Silva, Laryssa Gabriela Viana Mendonça e Sara Alice Irandes Barreto

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